ABC coleta mais de 21 mil toneladas de resíduos recicláveis por mês

A fim de diminuir danos ambientais, as prefeituras da região têm intensificado o trabalho de coleta e incentivo para separação de recicláveis. Em quatro das sete cidades do ABC, são recolhidas pelo menos 21 mil toneladas/mês, número que, embora expressivo, representa baixo percentual de todo lixo recolhido, como São Bernardo, onde os recicláveis representam 5% do total produzido.

A cidade fornece o serviço duas vezes por semana e recolhe mil toneladas de resíduos por mês. Para dar conta da demanda, nove caminhões e duas motos atuam no recolhimento e destinação do material até as centrais de triagem, onde há separação, tratamento e reversão de verba para os coletores.

Um dos desafios das cooperativas é trabalhar na qualidade do material recebido, pois há muita mistura de recicláveis com resíduos úmidos, o que contamina os objetos e viram rejeito. Para evitar o problema, papel, metal, plástico e vidro devem ser separados dos demais resíduos. Itens como lixo de banheiro, comida, esponjas, entre outros, devem ser destinados ao lixo comum.

Em Santo André, o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) dispõe de 12 veículos para realizar a coleta seletiva uma vez por semana em todos os bairros, com exceção do Centro e bairro Casa Branca, onde ocorre de segunda a sábado, o que totaliza 935 toneladas recolhidas ao mês. Para incentivar a separação, está em estudo a ampliação do Moeda Verde, programa que promove troca de produtos por verduras, frutas e legumes.

Em São Caetano, a coleta é feita com três caminhões, uma vez por semana em todos os bairros, que recolhem cerca de 190 toneladas/mês. Para ampliar a captação, a cidade tem projeto de ampliação e modernização do Centro de Triagem da Coleta Seletiva. Já Ribeirão Pires faz coleta de acordo com a demanda de cada bairro. São recolhidas 19 toneladas de recicláveis ao mês. A operação conta com dois caminhões, porém, um deles se encontra em manutenção.

Em Mauá, o serviço de coleta tem apenas um caminhão para atender alguns bairros. Está nos planos da administração atingir toda a cidade, ainda em 2020, com a contratação da Coopercata (Cooperativa de Catadores de Papel, Papelão e Material Reciclável de Mauá).

O investimento de quase R$ 1 bilhão para construção da URE (Unidade de Recuperação Energética), iniciativa privada da Lara Central de Tratamento de Resíduos Ltda – concessionária responsável pelos serviços de varrição, recolhimento e destinação de resíduos sólidos – auxiliará no processo de tratamento com proposta pioneira na política ambiental e energética.

Logística reversa vai gerar sustentabilidade

Para a professora e ambientalista da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), Marta Marcondes, a coleta por parte das prefeituras é essencial para que o lixo adquira novo ciclo de vida. “Com isso temos um gasto menor de energia e de trabalho, além do aproveitamento de matéria-prima para a confecção de outros produtos”, explica. De acordo com a ambientalista, para que o processo seja respeitado, existe a Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelecida em 2010, que ainda não foi efetivada, mas visa a logística reversa. “Essa política consiste no reaproveitamento de materiais comercializados. Você compra, utiliza e volta para devolver a embalagem que será reutilizada pelo fabricante”, diz.

Mas nos centros de triagem, os trabalhadores enfrentam várias complicações, como falta de educação da sociedade civil e estruturação do local de triagem. “Os trabalhadores se deparam com fraldas, fezes de animais e outros materiais não recicláveis que chegam até lá. Além disso, na maioria das vezes, não se tem espaço adequado para manusear os produtos”, diz.

Outro desafio elencado pela ambientalista é a falta de obrigatoriedade da Política de Resíduos Sólidos, que quando efetivada vai obrigar as empresas a trabalhar corretamente com as cooperativas dos catadores. “Além disso, a participação da sociedade é fundamental para o processo”, comenta.

 

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